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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Bala desbanca favorito e se torna o jumento mais rápido de Maranguape

São 150 metros até a glória. Com respiração ofegante e passadas desengonçadas, eles reagem aos gritos da multidão correndo. Partem em disparada até a linha de chegada levantando o público por onde passam. Alguns ainda resistem, relincham numa disputa acirrada contra paredões de som. Sobre os lombos, os jegues carregam crianças, adolescentes, jovens e adultos — alguns até desproporcionais para o pequeno tamanho do animal —, que durante todo o ano cuidaram dos animais na esperança de vencer a Corrida de Jumentos de Lages, distrito de Maranguape. O evento é o maior e mais tradicional da região. Ontem, reuniu cerca de 10 mil pessoas acomodadas entre matagais, alpendres das casas e a estrada carroçável, interditada provisoriamente para dar lugar à pista da competição. As eliminatórias com os 20 jumentos começam ao meio-dia, mas a dona de casa Mazé Rodrigues chegou três horas antes na pista de competição. Escorada no muro de uma das casas, ela se queixava do calor e da demora com o início da prova. “No ano passado cheguei tarde e não tinha lugar para estacionar. Dessa vez, inventei de vir cedo. Estou aqui quase de camarote, mas está muito quente”, lamentou. Nos “camarotes”, os espectadores se distraíam tentando adivinhar qual bicho venceria a disputa.
Farofa Fly era o mais bem cotado. Além dele, Café, Coca-Cola, Bala, Sabonete e Farinha estavam na preferência do público.
Sobre o lombo do preferido, Vando Ferreira, de 14 anos, exalava ar de campeão enquanto desfilava com o animal. Entretanto, era tudo disfarce. “Vai ser minha primeira carreira com ele. Acho que o Farofa leva, ele nunca perdeu uma disputa assim”, comentou.


Na corrida, o revés. A inexperiência de Vando somada ao cansaço de Farofa Fly renderam à dupla a terceira posição do pódio. O jumento Café ficou em segundo lugar. Bala foi aclamado como o jegue mais rápido de Maranguape e região. Segundo o agricultor Francisco Preá, o animal é tratado como “rei”. “Quando chega o ano da carreira, ele só come milho, ração e soro. É treinado com coisa boa. Então, competimos esperando ganhar uma coisinha”, disse.


Bala e seu proprietário levaram para casa R$ 500. Café, R$ 300. Já Vando e Farofa Fly receberam R$ 200. Qualquer pessoa pode competir, basta ter um jumento, explicou Gustavo Abreu, organizador do evento. As regras também são simples. “Não aceitamos maus-tratos. Não pode usar cipó, chicote, espora ou qualquer outra coisa que possa ferir o animal”, afirmou. Segundo ele, a intenção é valorizar os jumentos. “É um animal tão discriminado, vive solto nas estradas e nas ruas. Trazemos para cá e incentivamos que os criadores deem um trato especial”, afirmou.

Fonte: Opovo Online

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