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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Três corpos são encontrados carbonizados após rebelião

O enfrentamento teria iniciado após a descoberta de um túnel na Rua 'E'. As vítimas não foram identificadas

A CPPL II tem sido alvo de várias ações criminosas em outubro. Detentos foram mortos e resgates foram realizados na Unidade. Anteontem, a rebelião trouxe mais cenas de barbárie na Penitenciária ( Fotos: Nah Jereissati/VC Repórter )


Três presos foram encontrados mortos e carbonizados, na manhã de ontem, após uma rebelião que durou mais de 12 horas, na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), no Complexo Penitenciário de Itaitinga II, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). De acordo com a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), as mortes foram decorrentes das brigas entre os próprios internos. Os corpos foram encontrados pelo Grupo de Apoio Penitenciário (GAP), que entrou no presídio e finalmente controlou a rebelião. Os cadáveres foram recolhidos pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e levados à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) para serem identificados. Devido à extensão da rebelião, o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), advogado Cláudio Justa, não descarta que sejam encontrados mais cadáveres. A possível existência de outras mortes seguem em apuração pelo Copen.


O GAP, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Ceará (BPChoque) passaram a noite da segunda-feira (30) e a madrugada de ontem em operação de vigília, cercando a CPPL II, para evitar fugas e tentativas de resgate. "BPChoque e Gate foram chamados para cercar a CPPL e fazer uma varredura para ver se não tinha nem um grupo armado", relatou Justa.

A rebelião teria começado no fim da tarde da segunda após agentes penitenciários descobrirem a escavação de um túnel partindo na Rua E da CPPL II. A Unidade concentra membros da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE).

"Hoje (ontem) de manhã, os agentes se posicionaram para a intervenção. Houve negociação com os presos para ser pacífico, mas, como é de praxe, não houve resultado. O GAP entrou com uso de força não letal. Foram encontrado três cadáveres carbonizados. São 'decretados' (marcados para morrer) da GDE", revelou Cláudio Justa.

A Sejus afirmou que agentes penitenciários e PMs entraram no presídio para controlar o que chamou de "tumulto" e no fim da tarde confirmou as mortes. "Atendimentos de pessoas feridas estão sendo realizados na própria unidade. A intervenção permanece para identificar os danos materiais e humanos", completou a Pasta, em nota.

A rebelião causou grandes danos materiais à Penitenciária e a Sejus está estudando a transferência de alguns presos para um novo presídio que está sendo construído no município de Horizonte, também na Grande Fortaleza, mesmo ainda não estando pronto, disse Cláudio Justa. Uma fonte ligada à Pasta, que optou por não se identificar, acrescentou que as cenas de terror vividas na CPPL II vão além do que é noticiado. "A tendência é piorar. A população não sabe a metade das coisas que acontece dentro do Sistema Penitenciário. Os agentes trabalham sob pressão", disse.

Tensão

A CPPL II tem sido alvo de várias ações criminosas em outubro. Na semana passada, dois internos foram encontrados mortos, em menos de 48h. O corpo de Igor Menezes Nunes, 22, foi encontrado na manhã do último dia 26 deste mês, com marcas de lesão corporal e enforcamento. A causa da morte seria um desentendimento dentro da facção criminosa GDE.

Já o detento Davi Lameu de Sousa Neto, 45, teve os olhos e o cérebro arrancado e foi encontrado morto na terça-feira (24). O preso teria sido executado por integrar a facção Comando Vermelho (CV), que trava uma guerra com a GDE nas ruas do Estado e também dentro dos presídios.

Além das mortes, a CPPL II já registrou dois resgates de internos, neste mês. No dia 19, 55 presos teriam conseguido escapar do presídio, após comparsas trocarem tiros com agentes penitenciários e policiais militares, segundo uma fonte da Sejus. A Pasta não confirmou o número de fugitivos. No dia 14, em ação semelhante, três detentos já haviam deixado a Unidade.

Os conflitos e o clima de tensão se instauraram na Penitenciária após a GDE tomar conta de toda a Unidade. Conforme o presidente do Copen, Cláudio Justa, o presídio era dividido, por ruas, entre membros das facções criminosas Guardiões do Estado e do Comando Vermelho até o mês de setembro deste ano, mas a GDE se impôs e obrigou a retirada dos integrantes da facção rival.

Fonte: Diario do Nordeste

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