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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

140 presos morreram nos presídios do Ceará em 4 anos

"As ações do Governo estão sendo postas em xeque. Existem lideranças presas, e o serviço de Inteligência não consegue conter esse avanço" disse o presidente do Conselho Penitenciário, Cláudio Justa

Em maio de 2016, mês quando 18 internos foram mortos em rebeliões ocorridas nas unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) admitiu a primeira transferência emergencial de detentos ameaçados. Desde então, presídios e cadeias do Ceará se tornaram local propício para a prática de crimes de faccionados aliados.

Ao mesmo tempo em que de dentro das unidades prisionais partem as ordens de ataques em vias públicas e determinações de quem deve viver ou morrer, os internos ganham força e percebem as brechas para a imposição de exigências. Nos últimos meses, a ordem mais comum de detentos é a separação de presídios por organização criminosa.

Quando duas facções rivais dividem o mesmo espaço, o risco de morte é iminente. Em parte, o número de, pelo menos, 140 assassinatos dentro das unidades prisionais do Estado contabilizados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), de 2013 até 2017, se deve a essa guerra interna.



Horas após a nova chacina registrada no Estado do Ceará, desta vez em Itapajé, o presidente do Conselho Penitenciário (Copen), Cláudio Justa, afirmou que a matança já era algo previsto e conversado entre os órgãos vinculados à Sejus.


Conforme Justa, a guerra instalada na Cadeia Pública de Itapajé foi em retaliação à barbárie provocada nas Cajazeiras pela Guardiões do Estado (GDE). Para o Copen, o Governo do Ceará errou no diagnóstico ao traçar ações e subestimou a força das organizações dentro e fora das penitenciárias.

"Nós lamentamos muito. Avisos não faltaram da nossa parte. Essa chacina foi um processo que já estava sendo estabelecido no Estado. Na Grande Fortaleza, as facções já estão divididas, e isso diminui o risco de confronto. A Sejus precisa fazer um trabalho de remanejamento, mas não há vagas suficientes para essa separação. A tendência é que chacinas como essa se repitam, principalmente no Interior", apontou Justa.

Déficit no efetivo

Além das insuficientes vagas no Sistema Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa destaca a carência no quantitativo de agentes penitenciários. "Com essa nova dinâmica do crime organizado é fatal deixar um agente responsável por uma unidade. As ações do Governo estão sendo postas em xeque. Existe uma rede de lideranças presa e o atual serviço de Inteligência não consegue conter esse avanço", disse Justa.

Lembrando que a Sejus está em processo de construção de um presídio de segurança máxima estadual, a ser entregue ainda neste ano, o presidente do Copen avalia que o novo equipamento não solucionará o problema. Segundo Justa, o Ceará abriga integrantes de facções que estão em nível de gerenciamento e podem, facilmente, serem substituídos. "Um presídio assim serve para a separação dos cabeças das facções. Aqui, o poder é descentralizado. São pessoas altamente substituíveis. O dinheiro desse presídio seria melhor aplicado nos equipamentos que já existem", avalia.

Diario do Nordeste

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