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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Oposição debate CPI da Fonte Nova nesta terça; rediscussão da Cerb é descartada

Construção do estádio pode virar alvo de CPI | Foto: Divulgação

A bancada de oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) vai discutir nesta terça-feira (27) se recolherá assinaturas para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar se houve superfaturamento nas obras da Arena Fonte Nova. A suspeita motivou a deflagração da Operação Cartão Vermelho, pela Polícia Federal, nesta segunda (26). Indiciado pela PF, o ex-governador Jaques Wagner é acusado de ter recebido R$ 82 milhões em propina do consórcio OAS-Odebrecht, responsável pela obra, para favorecê-las na licitação aberta pelo governo estadual para escolher quem ficaria com o serviço. O secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, também foi indiciado, além de Carlos Daltro, apontado como amigo e intermediário de Wagner no esquema. De acordo com o deputado estadual Luciano Ribeiro (DEM), a CPI já está na pauta de reuniões do bloco e é necessária para dar respostas aos baianos sobre as supostas irregularidades. “A gente esperava que o governador desse uma declaração que esclarecesse os fatos. No entanto, ele foi periférico, acusando a mídia, falando de perseguição, de situações que não são o cerne da situação. O povo quer o esclarecimento dos fatos. Se eles não vêm dizer, cabe a nós propor isso”, defendeu o democrata e apontado como possível substituto de Leur Lomanto Júnior (PMDB) na liderança da oposição, em entrevista ao Bahia Notícias.
Ainda segundo Ribeiro, está descartada a possibilidade de a bancada retomar a ideia de instalar a CPI da Cerb.
O caso da Companhia Ambiental de Recursos Hídricos da Bahia, empresa do governo estadual, voltou ao noticiário pelas mãos da chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção, Luciana Matutino, em entrevista coletiva para explicar a operação nesta segunda. Conforme Matutino, o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, condicionou uma doação a Wagner para campanha eleitoral ao pagamento de uma dívida da Cerb com a Odebrecht (entenda aqui). Então governador, Wagner teria feito um acordo com a empreiteira e, com isso, obteve o pagamento. Parte do dinheiro, irregular, teria sido usado para financiar a campanha do governador Rui Costa (PT) em 2014. Quando a denúncia da suposta negociata veio à tona por parte de delatores da Odebrecht, a oposição decidiu instalar uma CPI para investigar o caso. Entretanto, a iniciativa não foi à frente, porque é necessário recolher 21 assinaturas para apresentar o requerimento de instauração ao presidente da AL-BA, Angelo Coronel (PSD). Como a bancada nunca conseguiu esse número, apesar de ter 21 deputados – Samuel Júnior (PSC) sempre se recusa a assinar – desistiu da ideia (relembre). “Se você faz a CPI da Fonte Nova, está inclusa a Cerb porque foi citada. A CPI da Fonte Nova é mais ampla”, explicou Ribeiro sobre desistir de prosseguir com a CPI da Cerb. Questionado se o problema de falta de assinaturas não vai se repetir, já que ocorreu em outras vezes, o deputado disse que não cabe ao grupo se omitir de propor a comissão só por causa dessa possibilidade. “A gente tem que fazer nosso papel. Cada parlamentar tem uma responsabilidade com a sociedade. A gente vai propor. Se a bancada topar, vamos começar a recolher as assinaturas já amanhã”, afirmou.

por Bruno Luiz

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