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sábado, 10 de março de 2018

Após 4 dias de buscas, corpos de mulheres são encontrados

Em uma ilhota do Rio Ceará, a cerca de 800m das margens, descobriu-se uma única cova rasa, onde as três mulheres foram enterradas ( Foto: Natinho Rodrigues )

Uma mão em meio à terra do mangue. Esse foi o primeiro sinal que levou à descoberta dos corpos de Ingrid Teixeira, Nara Lima e Darciele Anselmo, as três mulheres torturadas, mutiladas e mortas, no último dia 2, no bairro Parque Leblon, em Caucaia. Os assassinatos brutais foram filmados e divulgados em redes sociais. Elas foram encontradas em uma ilhota, localizada dentro do Rio Ceará, a cerca de 800 metros das margens, depois de quatro dias das buscas, iniciadas na última terça-feira (6).

Dois homens suspeitos da tripla execução foram levados pela Polícia Civil até o bairro Vila Velha III, por volta das 6h30 de ontem, para apontarem o exato ponto em que abandonaram os corpos. Nos dias anteriores, os investigadores já vinham tentando encontrar os restos mortais no lado caucaiense do mangue, mas as buscas haviam sido improdutivas. Na ilhota, descobriu-se uma única cova rasa, coberta com lama e folhagem, onde as três mulheres foram enterradas.


"Primeiramente, foram encontrados um braço e uma cabeça, mas, com o andamento das escavações, nossas equipes encontraram o restante dos corpos", informou o capitão Manoel Sidney, do Corpo de Bombeiros Militar. Segundo ele, o acesso ao local foi complicado porque a maré estava cheia e havia muita lama.


O cabo Daniel Lima foi um dos primeiros bombeiros a entrar no rio, com água alternando entre a cintura e o peito, por conta da maré alta, e chegar até o local da desova. "A gente percebeu que um pedaço da terra estava todo revirado, então esse foi o primeiro indício", afirma. Na terra, havia ainda secreções liberadas pelos corpos.

Desfiguradas

Por terem sido encontrados uma semana após o crime, os corpos já estavam em estado avançado de decomposição, informou o capitão Manoel Sidney. "Há várias partes desfiguradas pelo adiantar dos dias. Os próprios seres vivos marítimos, como os crustáceos, atacam e fazem estrago".

Por volta de 12h30, os corpos foram recolhidos em um rabecão da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), que confirmou a identidade das vítimas. Segundo os peritos, as três mulheres estavam decapitadas e uma, identificada como Nara Lima, estava sem um dos braços. A operação teve apoio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Força Tática da PM.

Arrebatadas

Na sexta-feira (2), as mulheres foram arrebatadas da Barra do Ceará, levadas ao mangue e, antes de serem mortas, obrigadas a negar que participavam da facção Comando Vermelho (CV). Em um dos vídeos, um homem aponta um revólver para uma vítima e a obriga a "rasgar a camisa" - gíria usada por membros de facções para dizer que abandonou a organização criminosa.

Os acusados dos crimes são membros da facção Guardiões do Estado (GDE). Até agora, a Polícia Civil já capturou seis envolvidos no triplo homicídio: Diego Alves Fernandes, 21 anos, que já tinha passagem por receptação, associação criminosa e corrupção de menor; Luiz Alexandre Alves, 23, que já respondeu por roubo e restrição de liberdade; Antônio Honorato dos Santos, 42, sem antecedentes criminais; Bruno Araújo de Oliveira, 23, que tem passagens por roubo e homicídio; César Clemente da Silva, 28, sem antecedentes criminais; e um menor de idade, de 17 anos, com passagem por posse ilegal de arma.

Contudo, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) declara que ainda há um suspeito foragido, Alison de Oliveira Borges, de 19 anos, que conseguiu fugir da Polícia.

Diario do Nordeste

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