PROMOÇÃO

sexta-feira, 23 de março de 2018

Ceará registra o maior crescimento de mortes violentas no país em 2017

Resultado de imagem para mortes violencia
O Ceará foi o estado brasileiro que registrou maior crescimento nos casos de mortes violentas na comparação entre os anos de 2016 e 2017. Foram 5.134 assassinatos no ano passado, contra 3.457 em 2016. O levantamento realizado pelo G1faz parte de mais uma etapa do Monitor da Violência. O índice abrange casos de homicídios dolosos, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, que são classificados como Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs). No total, o Brasil teve no ano passado 59.103 vítimas assassinadas durante o ano passado. O número representa uma morte a cada 9 minutos, em média.

O levantamento mostrou o Ceará como o estado que teve o maior crescimento de mortes tanto em número absoluto (1.677 mortes a mais em um ano) como percentualmente (48,5%). Foram 5.005 homicídios dolosos, 88 latrocínios e 41 lesões corporais seguidas de morte. A média é de 14 mortes violentas por dia.


Universitária morta



Uma das vítimas da violência foi Shyslane Nunes de Sousa, de 24 anos, que morreu baleada em março de 2017 durante uma troca de tiros entre a polícia e dois suspeitos de um assalto em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza. A jovem estudante de gastronomia chegava em casa da faculdade, por volta de 23h30, quando foi abordada pelos criminosos. Foi baleada logo depois, na chegada da polícia.


“Estou com trauma de polícia. Eu vejo um carro de polícia na rua e eu não sei se estou seguro. Não sei o que pode acontecer (...) Quero justiça. Quero que o culpado que fez isso com minha filha pague (...) Aposto que se fosse filho de um policial, se fosse filho de um juiz, se fosse filho do governador, do secretário de Segurança, já tinha sido resolvido. Infelizmente, o nosso Brasil é assim”, afirmou o pai, Francisco Roberto de Sousa.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social diz que não tem medido esforços para combater as mortes violentas e vem reforçando ações de enfrentamento à criminalidade em todo o território cearense.
“Vale ressaltar que o aumento registrado no Ceará, em 2017, também foi contabilizado em outros estados do país, o que corrobora para atribuir esse crescimento a uma problemática nacional e não localizada em um estado ou outro. Por isso, há necessidade de haver uma pactuação nacional que envolva todos os estados brasileiros. O Ceará tem como prioridade manter a transparência e a confiabilidade dos dados criminais e dar publicidade a eles, seguindo diretrizes da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do governo federal. Dessa forma, não é legítimo fazer comparação dos dados criminais entre os estados, já que cada estado conta suas mortes utilizando metodologias diferentes”, comunicou, em nota.


“Para conter o avanço de mortes violentas, a SSPDS tem investido também em ações de territorialização, fazendo com que os policiais militares estejam presentes 24 horas por dia nas periferias e nas comunidades, com apoio de outros órgãos e esferas do poder público. Para além da segurança, há investimento, por parte do governo do estado, em acesso à infraestrutura, educação em tempo integral, oportunidades de estágios e empregos, projetos culturais, esportivos e de lazer, priorizando áreas mais vulneráveis à criminalidade. Outro investimento em segurança foi na área de tecnologia”, informou.

Houve um aumento de 2,7% em relação a 2016, quando foram registradas 57.549 vítimas no país. Como parte dos dados de 2017 será revisada e estados como Tocantins e Minas Gerais dizem que o balanço completo não está fechado, a tendência é que esse crescimento seja ainda maior. Além disso, em muitos estados os casos de morte em decorrência de intervenção policial não entram na conta de homicídios – ou seja, é seguro dizer que a estatística passa dos 60 mil (só no RJ, por exemplo, houve 1.124 casos do tipo no ano passado).
O Monitor da Violência é uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Jornalistas espalhados pelo país solicitaram os dados via Lei de Acesso à Informação seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado normalmente no fim do ano.
Página especial
Uma página especial foi desenvolvida para mostrar mês a mês os números disponíveis. O objetivo é, além de possibilitar um diagnóstico em tempo real da violência, cobrar transparência por parte dos governos.
Na página especial, é possível navegar por cada um dos estados e encontrar dois vídeos: um com uma análise de um especialista indicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e outro com um diagnóstico de um representante do governo.
Ambos respondem a duas perguntas:
1. Quem são os grupos/pessoas que mais matam no estado, por que eles matam e como isso mudou ao longo da última década?
2. O que fazer para mudar esse cenário?

O sociólogo César Barreira, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), comentou que, no geral, o perfil das pessoas que matam é semelhante ao das vítimas. "As pessoas que cometem [crimes] saem das áreas mais pobres da cidade. Isso tem uma relação muito com forte com a desigualdade, mas também com ausência de políticas públicas", comentou.




Assassinatos no Brasil (Foto: Betta Jaworski/G1)Adicionar legenda


Conteúdo G1/CE
 Portal de Noticia CE 

Nenhum comentário: