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terça-feira, 13 de março de 2018

PRAÇA DA GENTILÂNDIA Frequentadores do Benfica fazem ato pedindo Justiça


"Justiça e paz, chacina nunca mais!", foi o mantra repetido por alunos, professores e servidores da UFC, além dos moradores do Bairro Benfica ( Foto: Cid Barbosa )

Uma marcha de luto, silenciosa, desentalou o grito no acender de velas. "Justiça e paz, chacina nunca mais!", foi o mantra repetido por alunos, professores e servidores da Universidade Federal do Ceará (UFC) além dos moradores do Bairro Benfica. O clima era de tristeza, medo e revolta. Com concentração no Bosque de Letras da UFC, dezenas de manifestantes seguiram, silenciosos, em passeata até a Praça da Gentilândia, local onde aconteceu parte da chacina que assolou sete vidas na última sexta-feira (9). Depois de formarem uma grande roda, os participantes da mobilização fizeram um pequeno altar com velas e flores, discursando e entoando os nome das vítimas assassinadas.



Lágrimas


Atrás dos óculos, Antônio, proprietário de um dos bares mais frequentados do Benfica, mareja os olhos ao relembrar da noite de sexta-feira. "Fica difícil para traduzir o que realmente está sendo ainda. A minha reação foi me esconder atrás do balcão, não deu tempo de fazer mais nada, nessa hora falta experiência, você passa a ser egoísta e só pensa em você mesmo. Não tem como parar para raciocinar, você só quer se proteger", relata.

No sábado, um dia após a chacina, o proprietário chegou a pensar em abrir o bar, mas quando chegou à Praça, não conseguiu. "Senti a praça muito pesada, sabe? Era como se tivesse tirado o sorriso de uma criança".

Medo

Para os manifestantes, o medo já permeia o Benfica há algum tempo, mas só ganhou repercussão após o grave acontecimento. Daniel Macêdo, estudante de mestrado e morador do bairro, afirma que a chacina não é um caso isolado. "Em 2015, dois amigos apanharam nesta Praça por dar um beijo, por serem gays. Então não é de hoje que a violência é uma constante no Benfica, mas isso não quer dizer que nós devemos nos trancar em casa, a cidade precisa ser ocupada para inibir essas práticas", sugere.

Daniel lamentou, ainda, o momento vivido pela juventude que frequenta a Praça da Gentilândia e encontra ali um espaço para viver e ser o que é. "Temos tão poucos espaços que podemos viver nossa juventude e ainda nesses raros locais somos convidados a nos retirar por que não existem condições de vivermos neles. É triste".

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Diario do Nordeste

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