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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Ceará caiu de segundo para 20º em produção de tilápia

Hoje, o desafio é retomar a atividade a partir da utilização de novas tecnologias, como de reúso de água
Diante da progressiva queda no volume armazenado de água, pela escassez de chuvas dos últimos anos, foram registradas sucessivas mortes em massa de tilápias, como a ocorrida em 2014, no Açude Orós ( Foto: Honório Bezerra )

Iguatu. O Ceará passou de segundo maior produtor de tilápia do Brasil para a 20ª colocação, entre 2013 e 2017. O setor já movimentou a economia regional, gerando milhares de empregos, em particular nos dois maiores polos, os açudes Castanhão e Orós. Hoje, o desafio é retomar a atividade a partir da utilização de novas tecnologias de reúso de água e de produção em tanques bioflocos (BFT). Os dois maiores açudes do Estado do Ceará e principais polos de produção de tilápia, Castanhão e Orós, acumulam menos de 10% do volume máximo. A produção de tilápia estimada em 2013 foi de 30 toneladas/ano no Ceará. Em 2015, caiu para 19 mil t/ano. Em 2017, segundo dados da Associação dos Piscicultores do Ceará chegou a 7 mil t/ano. Nos dois reservatórios, mais de 700 famílias foram afetadas. A estiagem verificada a partir do ano de 2012 e a permanente perda de reserva hídrica nos grandes açudes provocaram uma queda assustadora da produção regional. Os cultivadores de base familiar foram os mais afetados e o desafio é encontrar alternativas para a retomada dos criatórios.
O panorama da atividade econômica, os desafios, o quadro atual dos pequenos produtores, a falta de organização da cadeia produtiva no Estado foram abordados em uma pesquisa que começou a ser feita em 2015, pela Embrapa Pesca e Aquicultura, com sede em Palmas, Tocantins, e que resultou em quatro publicações que traçam um diagnóstico sobre a cultura da tilápia no Brasil.
O Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), por meio de cooperação técnica, participou da pesquisa com outras instituições. No Ceará, os levantamentos foram realizados em dois polos: Castanhão e Orós, os maiores produtores do Estado. A coordenadora da área de pós-graduação e pesquisa do Centec, Elda Tahim, engenheira de pesca e doutora em Economia, foi a responsável pelo acompanhamento e colaboração na pesquisa de campo e elaboração do diagnóstico da tilapicultura cearense. A pesquisa resultou em dois livros e dois documentos. Os livros estão disponíveis no site do Centec: "Dimensão socioeconômica da tilapicultura no Brasil" e "Diagnóstico da cadeia de valor da tilapicultura no Brasil". Os documentos, finalizados em 2015, apresentam as temáticas: "Gerenciamento genético da tilápia nos cultivos comerciais" e "A importância da organização da cadeia de valor da tilápia na gestão da crise hídrica".

A pesquisadora destacou a importância do estudo para a área a partir de um amplo trabalho de campo. "Os estudos mostram a realidade da produção de tilápia no Brasil", pontuou.

Desafios

A Elda Tahim pontuou que o desafio passa pela necessidade de organização da cadeia produtiva e da utilização de novas tecnologias para a criação de tilápia. "Existem os sistemas fechados de reúso de água e de cultivo em bioflocos, mas que são mais caros e, por isso, os pequenos produtores precisam de apoio, de área e de acesso à água. Essa será a saída e não vejo, no momento, possibilidade de retomada dos criatórios nos açudes. Não dá para ficar sempre na dependência de chuva", pontuou.

Sem orientação técnica, financiamento, a atividade permanece comprometida no Ceará. O modelo de criação em gaiolas submersas nos açudes está inviável diante do baixo volume. "Jaguaribara foi a que mais sentiu, pois a economia local dependia da tilápia no Castanhão", observou Elda Tahim. "A cidade está parada, os representantes de rações, de equipamentos, toda a cadeia produtiva foi afetada e veio o desemprego".

Ainda segundo a pesquisadora do Centec, a renda média do produtor de base familiar era de 1,5 salários mínimos mensais. "Houve uma mudança significativa nessas áreas de produção com reforma das casas, aquisição de eletrodomésticos e de veículos. Apesar das dificuldades, creio que, em dois anos, novos sistemas de produção devem estar consolidados", acredita.
Honório Barbosa - Colaborador
Diario do Nordeste

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