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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Depois de ter mandato cassado, Demóstenes Torres tenta voltar ao Congresso

Foto: André Corrêa / Divulgação

O ex-senador Demóstenes Torres (PTB-GO) é candidato a deputado federal com patrimônio declarado de R$ 2,51 milhões. O valor total informado à Justiça Eleitoral aumentou 571% -mais de seis vezes- desde 2010, ano em que declarou bens de R$ 374,9 mil.

O senador atribui a maior parte do acréscimo ao financiamento do apartamento onde mora, em Goiânia.

Demóstenes tenta voltar ao Congresso Nacional depois de ter o mandato de senador cassado, em 2012, por ter o seu nome ligado ao escândalo do caso Cachoeira, revelado pela Operação Monte Carlo. Ele ficaria inelegível até 2027, mas conseguiu reverter a situação após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar as provas ilegais e mandar arquivar os processos.

O candidato afirmou à reportagem que o sistema da Justiça Eleitoral não possibilita que dívidas sejam declaradas separadamente. Ele disse que financiou o apartamento no valor de R$ 1,2 milhão. No entanto, acrescentou, o imóvel não foi pago integralmente por ele nem quitado ainda. Segundo o ex-senador, a sua mulher, Flávia Coelho Torres, pagou R$ 400 mil, um terço do valor total.

De acordo com o candidato, 800 mil foram financiados em 30 anos. "Vou terminar de pagar daqui a 24 anos, quando tiver 81 anos de idade. Já paguei 150 mil", afirmou. Além disso, ele disse que tem um empréstimo de R$ 400 mil para pagar. "O meu patrimônio, de fato, gira em torno de R$ 1,1 milhão, conforme declarei no Imposto de Renda no início do ano."

O petebista diz que está preparado para lidar com possíveis críticas, caso volte ao Congresso. Antes de ter o mandato cassado, ele era visto pelos outros parlamentares como o defensor da moral. "Desde que saí do Senado, vejo esse tipo de questionamento. As críticas ficaram menores. As pessoas tomaram conhecimento do que ocorreu. Não houve prova."

Se chegar à Câmara dos Deputados, o ex-senador, que se licenciou do cargo de procurador de Justiça pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) para se candidatar, disse que vai focar no conhecimento jurídico, na segurança pública e na criação de leis como a da Ficha Limpa e a da Transparência, das quais ele foi relator.

Demóstenes queria mesmo era retornar ao Senado, mas teve de recuar. "Não teve jeito de ser candidato ao Senado, já tinha dois candidatos. Os dois já estavam definidos e não tinha possibilidade de ter outro", afirmou.

O petebista integra o grupo político que apoia a reeleição do governador de Goiás, José Eliton (PSDB), que assumiu o cargo em abril com a renúncia de Marconi Perillo (PSDB).

Os candidatos ao Senado pelo grupo são Perillo e Lúcia Vânia (PSB). Ela deixou o PSDB, em 2015, com críticas veladas ao então presidente da sigla, Aécio Neves.

Já o senador e empresário Wilder Morais (DEM), candidato à reeleição e que ocupou o posto de Demóstenes após ele ter o mandato cassado, apoia, para o governo goiano, Ronaldo Caiado (DEM), o principal adversário de José Eliton.

Wilder declarou à Justiça Eleitoral R$ 28,1 milhões em bens. Ele é o candidato mais rico entre os 12 que disputam vaga ao Senado por Goiás.

No total, de acordo com a Justiça Eleitoral, Goiás tem sete candidatos ao governo do estado; 12, ao Senado; 211, a deputado federal; e 811, a deputado estadual.

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