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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

CRISE HÍDRICA Falta de água atinge famílias no entorno do Castanhão

Moradores das localidades de Barro Vermelho, Macambira e Pau Moco sofrem com a escassez hídrica

Segundo dados da Cogerh de ontem, o Castanhão armazena apenas 6,33% da sua capacidade total ( FOTO: HONÓRIO BARBOSA )

Jaguaribara. Mais de dez comunidades rurais no entorno do Açude Castanhão, o maior do Ceará, atualmente com apenas 6,33% da sua capacidade, sofrem com a escassez de água. As localidades eram abastecidas por três caminhões da Operação Carro-Pipa do Exército, mas o atendimento a cerca de 400 famílias foi suspenso em junho passado. Muitas cisternas que captam água da chuva estão vazias.

Em maio passado, no último mês da quadra chuvosa, a Prefeitura de Jaguaribara decretou estado de emergência em decorrência da seca. Três meses depois, em 16 de agosto, o Ministério da Integração após reconhecimento da situação, autorizou o Exército a executar a distribuição de água por meios de caminhões pipa, mas até ontem não houve a implantação do serviço.

"Ainda não temos previsão de quando os caminhões vão voltar a distribuir água", disse o prefeito de Jaguaribara, Joaci Júnior. "Pelo menos essa é a informação que recebemos de Brasília e do comando regional do programa. Solicitamos pelo menos o retorno dos três caminhões. Infelizmente, a água do Castanhão não chega às nossas comunidades".

Segundo o gestor de Jaguaribara, cerca de 400 famílias sofrem com a escassez de água nas comunidades rurais do Município. "As chuvas foram fracas, encheram as cisternas, mas a maioria já secou e as dificuldades são enormes. Só dispomos de um caminhão pipa, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e sozinhos não temos condições de atender à demanda por falta de condições financeiras".

Moradores de Barro Vermelho, Macambira e Pau Moco, que fica distante apenas 4 km do Castanhão sofrem. "A cisterna já secou e dependemos da água do caminhão porque não existe outra fonte", disse o agricultor, José Pinheiro. "Estamos perto do Castanhão, mas dependemos das chuvas. Nunca fizeram adutora para nossas comunidades".

Outras localidades mais distantes, cerca de 60km do reservatório, como Pedras e Cabeça da Égua também enfrentam crise de desabastecimento. "A alternativa de emergência é o abastecimento por caminhões pipa", reforça o prefeito de Jaguaribara.

A técnica da Comissão Estadual de Defesa Civil (Codec), Ioneide Araújo, explicou que o órgão atende às sedes urbanas municipais do Semiárido cearense. "O atendimento nas localidades rurais é feito pelo Exército, por meio da Operação Pipa. Jaguaribara tem o decreto de emergência reconhecido até 21 de dezembro próximo". A Defesa Civil estadual atende quatro cidades: Boa Viagem, Pereiro, Mombaça e Deputado Irapuan Pinheiro, com a distribuição de água.

Choró deve ser incluída em breve. Os municípios que estão enfrentando dificuldades devem ter o decreto de emergência reconhecido e procurar o Grupo de Contingenciamento e o Comitê da Seca, instituições criadas pelo Governo do Estado, para apresentar suas reivindicações.

Operação Pipa

No Ceará, 236.390 habitantes estão sendo abastecidos com água potável nas áreas rurais de 41 municípios, por meio da Operação Carro-Pipa Federal. Ao todo, 467 caminhões realizam o atendimento das famílias. O Ministério da Integração Nacional destinou R$ 19 milhões ao Governo do Ceará para atendimento da população na área urbana.

 por Honório Barbosa - Colaborador
Diario do Nordeste

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