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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Pesca do camarão é alternativa de renda para pescadores do Orós

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A Colônia de trabalhadores estima que, por semana, são vendidos cerca de dois mil quilos do crustáceo. Em média, o quilo do camarão é negociado por R$ 3,00 e garante o sustento diante da escassez de peixes.

O camarão ainda é abundante nas águas do Orós, mas pescadores temem que o manancial hídrico seque nos próximos meses.

A busca de camarão é a alternativa encontrada por centenas de pescadores artesanais que moram em áreas ribeirinhas do Açude Orós, o segundo maior do Ceará, em Iguatu. O reservatório acumula apenas 7,3% de sua capacidade. O baixo nível das águas reduziu em 90% a captura dos peixes mais comuns - tilápia e curimatã; o tucunaré, por sua vez, acabou.

A Colônia de Pescadores de Orós estima que, por semana, são vendidos cerca de dois mil quilos de camarão. Em média, os pescadores vendem o quilo do crustáceo por R$ 3,00. "A tilápia praticamente desapareceu. A gente consegue pescar ainda um pouco de curimatã, mas é pequena, com baixo valor comercial", disse o trabalhador Jodeci da Costa. O pescado é comercializado por apenas R$ 1,00, cada.

O camarão da água doce tem tamanho variado; o maior, conhecido popularmente por pitu, é vendido a R$ 7,00, o quilo. O intermediário (médio) cai para R$ 3,00. Se for sem casca, o preço sobe para R$ 20,00, da variedade de maior tamanho.

Logo após a pesca, o camarão é descascado e cozido na beira do açude, às margens do Rio Jaguaribe. Em seguida, ensacado. Alguns são salgados para conservação e venda posterior. "A gente está vivendo do camarão", disse o pescador Tássio Manuel da Silva. "O peixe praticamente se acabou porque o açude está com pouca água. A situação aqui está muito difícil".

Na localidade de Barrocas, zona rural de Iguatu, na bacia do Açude Orós, um grupo de pescadores faz a captura do camarão, diariamente. São pescados por semana cerca de 500 quilos - em cinco localidades. A maior quantidade é vendida no entreposto da cidade de Orós, próximo à parede do reservatório.

Os pescadores substituíram a antiga armadilha de captura - covo (um objeto feito de madeira ou plástico) - por uma espécie de rede de fio 'nylon', semelhante a uma tarrafa - conhecida por 'camarozeira'. "É mais prático e custa menos", justificou o pescador Francisco Leite. Entretanto, em outras localidades ribeirinhas, ainda há o uso do covo feito a partir de talas da carnaubeira.

A pesca do camarão começa pela madrugada e se estende até 7 horas. A isca usada é uma espécie de bolinho assado - uma massa com farinha e resto de animais marinhos. Nos barcos encostados à margem do rio, os pescadores fazem a seleção do produto, cozinha, descascam e ensacam.

Parados

O pescador Jodaci Costa consegue capturar cerca de cinco quilos em dias alternados. Cada quilo é vendido por R$ 13,00, sem casca, em bandeja, por apresentar um tamanho médio. "A renda da minha família vem da pesca. Estamos escapando graças ao camarão, que ainda está dando, mas o temor de todos é diminuir porque o açude está secando a cada semana".

"Se não fosse o camarão, estavam todos parados", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. "O seguro defeso da pesca em água doce até hoje não saiu e a situação das famílias de pescadores artesanais é crítica".

Por Honório Barbosa,
Diario do Nordeste

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