quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Agentes apreendem 2.300 celulares nos presídios do Ceará após detentos ordenarem ataques

A nova Secretaria da Administração Penitenciária também desativou 84 unidades prisionais em todo o estado. Promessa de tornar fiscalização nos presídios mais rigorosa desencadeou onda de ataques que ocorre no estado desde 2 de janeiro.

Agentes penitenciários apreenderam 2,3 mil celulares nos presídios cearenses nos últimos 22 dias, quando chefes de facção ordenaram uma série de ataques que ocorre no estado desde 2 de janeiro. Conforme a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), também foram recolhidas das unidades aparelhos de televisão e materiais ilícitos, como armas brancas.


Desde o início do ano ocorreram 232 ataques contra ônibus, carros, prédios públicos, prefeituras e comércios em 50 dos 184 municípios cearenses. As ações começaram em Fortaleza e se espalharam para a Região Metropolitana e diversas cidades do interior.


Em mensagens de áudio nos celulares apreendidos, os policiais identificaram as ordens para os ataques de dentro das unidades prisionais. "Uns toca fogo na prefeitura, uns toca fogo nas coisa lá dos policial, tá ligado?", diz uma das mensagens.

Criminosos incendeiam caminhão do lixo em Fortaleza — Foto: José Leomar/SVM

O reforço na vistoria das cadeias faz parte de estratégia da SAP para interromper a comunicação e a troca de informações entre detentos e criminosos fora da prisão. Outra ação da pasta é a desativação de 84 unidades prisionais em todo o Ceará. Há ainda a possibilidade de fechamento de outras cadeias públicas. Mais de 2.500 presos foram realocados em outras prisões. Outros 39 presos, considerados de alta periculosidade, foram transferidos para presídios federais. Os agentes federais que trabalhavam nas unidades fechadas serão redistribuídos para dar suporte a todo o sistema penitenciário.




Novas regras para visitas


Ônibus estão entre os alvos dos ataques criminosos no Ceará — Foto: SVM

Uma outra ação da SAP é implantar novas regras de entrada de alimentos e objetos nos presídios durante as visitas. Uma das medidas é a restrição de alimentos extras, que agora só poderão ser levados para o consumo de internos e visitantes durante a visita. Nos demais dias, a alimentação será restrita às cinco refeições diárias fornecidas pelo estado.


"O Ceará é um dos estados com maior número diário de refeições dentro das unidades. Isso permite restringirmos e assegurarmos que a alimentação não seja usada como meio de comércio, gerando renda para o crime organizado; e dar continuidade ao enfrentamento maciço do crime dentro do sistema penitenciário do Ceará", afirma o secretário Mauro Albuquerque.

Ceará vive onda de ataques desde 2 de janeiro — Foto: Arte/G1


Entenda o que está acontecendo no Ceará

O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos. Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior. O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado. A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do comércio. A onda de violência afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado cair.
39 membros de facções criminosas foram transferidos do Ceará para presídios federais desde o início dos ataques, segundo o último balanço do Ministério da Justiça.

Por G1 CE

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