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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ceará tem primeiro dia sem ataques criminosos após onda de violência de 26 dias seguidos

Desde o dia 2 de janeiro, ocorreram 258 ações criminosas no estado. Secretaria da Segurança confirmou que 461 pessoas foram detidas.


Criminosos incendeiam caminhão do lixo em Fortaleza — Foto: José Leomar/SVM

Após 26 dias seguidos, o Ceará não registrou nenhum ataque criminosos na segunda-feira (28), de acordo com o Governo do Estado. O último crime da onda de violência ocorreu na tarde de domingo (27), quando um carro da distribuidora de energia do Ceará foi incendiado.

Desde o início das ações criminosas, no dia 2 de janeiro, ocorreram 258 ataques contra ônibus, carros, prédios públicos, prefeituras e comércios em 50 dos 184 municípios cearenses. Os crimes começaram em Fortaleza e se espalharam para a Região Metropolitana e diversas cidades do interior. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará confirmou que 461 pessoas foram detidas por envolvimento nas ações criminosas. O último ataque, contra o veículo da Enel, ocorreu no Bairro Canindenzinho, em Fortaleza. Criminosos jogaram combustível e atearam fogo em um veículo da empresa de distribuição de energia no Ceará. O caminhão ficou danificado e o fogo foi contido por equipes do Corpo de Bombeiros. Além do ataque, criminosos jogaram um artefato explosivo no telhado de uma delegacia na cidade de Maracanaú. Uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) da Polícia Militar do Ceará e recolheu o material.


Início dos ataques

Os ataques no Ceará começaram após uma declaração do novo secretário de Administração Penitenciária Luís Mauro Albuquerque de que “não reconhece facções” no estado. O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que a nomeação de Albuquerque para o cargo provocou a onda de ataques.

Áudios compartilhados entre membros de facções do Ceará revelaram que as ordens para as ações criminosas partiram de presidiários. Em um dos áudios, um detento diz que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o secretário desista de medidas que tornaram mais rigorosa a fiscalização no sistema penitenciário. "Vocês vão tirar esse secretário aí dos presídios. Vocês vão ver, vai piorar é pra vocês", ameaça um criminoso.

"Agora a bagunça vai começar é com força", diz outra mensagem de áudio. “Agora nós vamos parar os ônibus, vamos tocar fogo com vocês dentro”, ameaça um terceiro detento.

As mensagens chegaram às autoridades após a apreensão de 407 aparelhos de celulares nos presídios, em 6 de janeiro.

Entenda o que está acontecendo no Ceará


O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos.
Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior.
O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado.
A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do comércio.
A onda de violência afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado cair.
39 membros de facções criminosas foram transferidos do Ceará para presídios federais desde o início dos ataques, segundo o último balanço do Ministério da Justiça.
Agentes penitenciários apreenderam 2,3 mil celulares nos presídios cearenses durante os ataques.


Ônibus queimado em Fortaleza durante série de ataques criminosos — Foto: SVM

Reforço policial

Devido à onda de ataques, o Governo do Ceará convocou mais de 1,2 mil policiais da reserva para reforçar a segurança nas ruas. Além disso, o Ministério da Justiça enviou um reforço de 355 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o estado. Tropas da Força Nacional também seguem reforçando as ações no estado.

Uma megaoperação para combater ataques no Ceará capturou 42 pessoas na madrugada de sábado. A operação, nomeada "Contra-ataque", foi deflagrada para combater a onda de ataques no estado. Além disso, 11 armas de fogo e 4,36 kg de drogas foram apreendidas, segundo a Secretaria de Segurança do Ceará.

Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, assinou uma portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) autorizando o envio de agentes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para dar apoio ao estado do Ceará. O grupo deve permanecer por 45 dias no estado, a contar do dia 14 de janeiro.

Por G1 CE

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