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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Criminosos detonam explosivos em viaduto e queimam ambulância no 10º dia de ataques no Ceará

Série de ataques tem 187 ações criminosas em 43 cidades cearenses desde 2 de janeiro. Ministério da Justiça confirmou que 35 presos do Ceará foram transferidos para presídios federais.


Bandidos fazem novos ataques com explosivos em Fortaleza

Criminosos voltaram a atacar um viaduto, prédios públicos e veículos entre a noite de quinta-feira (10) e a madrugada desta sexta-feira (11) no Ceará. A onda de violência no estado chegou ao 10º dia seguido com 187 ataques confirmados em 43 dos 184 municípios cearenses. O Ministério da Justiça confirmou que, desde o início dos ataques, 35 membros de facções criminosas do estado foram transferidos para presídios federais, sendo 15 transferências realizadas em uma operação nesta sexta-feira.


Os ataques começaram no dia 2 de janeiro, quando bandidos incendiaram ônibus, transportes escolares, veículos de prefeituras, prédios públicos e comércios na capital e no interior. A Secretaria da Segurança Pública comunicou que 287 suspeitos de envolvimentos nos crimes foram detidos. Os atentados iniciaram após o anúncio de medidas do governo para tornar mais rígida a fiscalização nos presídios cearenses.

Entenda o que está acontecendo no Ceará

O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos. Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior ao longo da semana.
O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado. A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções frequentes no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do comércio. Onda de violência no Ceará afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado cair de 85% para 65%.

Explosão em viaduto

Na noite desta quinta-feira, bandidos detonaram explosivos na parede de um viaduto na rodovia CE-040, no Bairro Messejana, na capital. A explosão não causou danos ao equipamento, mas o viaduto precisou ser isolado durante a noite.

O barulho da explosão foi ouvido por moradores de bairros vizinhos. De acordo com uma moradora da região que não quis se identificar, a explosão gerou um tremor nas casas vizinhas. "Foi um estrondo muito forte, tipo como se tivesse uma implosão de um prédio", comentou.

Polícia isolou viaduto para retirada de artefatos explosivos em Fortaleza — Foto: Rafaela Duarte/Sistema Verdes Mares

De acordo com a Polícia Militar, parte do explosivo não detonou e por conta disso a área do viaduto foi isolada. Uma equipe do esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionado para o artefato e evitar uma nova explosão.



Presos transferidos


O Ministério da Justiça informou que foram transferidos 15 presos do Ceará foram transferidos para o presidio federal de Mossoró. Os detentos ainda devem ser redistribuídos para outras unidades federais.

A operação de transferência foi finalizada na manhã desta sexta-feira, com escolta conjunta da Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e agentes do Governo do Ceaará. Ao todo, o Governo Federal ofereceu 60 vagas para receber criminosos do Ceará.

O governador Camilo Santana já havia confirmado, em entrevista para a GloboNews, na quarta-feira (9), que 21 chefes de facções criminosas que estavam presos no Ceará foram levados para unidades federais. Um dos presos transferidos, porém, não teria relação com a onda de ataques criminosos.




Motivação dos atentados




Os atentados começaram após uma fala do novo titular da Secretaria de Administração Penitenciária do estado, Luís Mauro Albuquerque, que afirmou que iria acabar a entrada de celulares nos presídios e encerrar a divisão de presos nas detenções conforme a facção criminosa a que pertencem.


O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que a nomeação do novo gestor das unidades prisionais motivou o início dos ataques. Em pichações em prédios públicos e residências, os criminosos pedem a saída de Mauro Albuquerque. "A criminalidade já conhecia o trabalho dele", afirmou André Costa.

ATAQUES NO CEARÁ


















Por Rafaela Duarte e Valdir Almeida
G! CE

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