quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

‘Virose da mosca’: número de casos cresce 123% e Ceará registra 11 mil notificações da doença

Fortaleza pulou de zero para 504 casos. Os números são da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa)

Rui de Gouveia, explica que não há um nexo causal entre o lixo acumulado e o aumento das notificações de DDA, mas ele explica a correlação existente.

A Doença Diarreica Aguda (DDA) — conhecida erroneamente como “virose da mosca” — já registrou 11.106 casos, no Ceará, de acordo com nova planilha de doenças de notificação compulsória da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa). O documento é referente ao período de 06 a 12 de janeiro deste ano. Com a atualização, o número de casos cresceu 123% — pulando de 4.971 para 11.106 notificações.

De acordo com informações publicadas na planilha da Sesa, o Ceará registrou um surto de DDA, no município de Maranguape em 2019. Apesar do fato, a coordenadora da Vigilância em Saúde do Ceará, Daniele Queiroz, explica que "esse surto não vai conseguir dimensionar a importância epidemiológica que estamos vivendo com essa doença". A DDA causa, principalmente, problemas intestinais como diarreia. Náuseas, vômito, febre e dor de cabeça também podem ser sintomas da doença.


Apesar do apelido, a doença não é transmitida pela mosca. O contágio da virose é através do contato interpessoal, seja ele direto ou indireto. Por isso, a principal forma de evitar a doença é reforçar a atenção aos hábitos saudáveis de higiene (lavar as mãos, os alimentos, utilizar álcool em gel etc.).

Além da pré-estação das chuvas, outra situação, especialmente em Fortaleza, liga o alarme para o aumento do contágio. Com o acúmulo de lixo nas ruas da Capital, a presença das moscas é ainda maior. Com isso, a população tem relacionado a grande quantidade de lixo jogada nas vias públicas com as centenas de casos já registrados da ‘virose da mosca’.

O coordenador da Atenção Primária à Saúde de Fortaleza, Rui de Gouveia, explica que não há um nexo causal entre o lixo acumulado e o aumento das notificações de DDA, mas ele explica a correlação existente. “A grande maioria das DDAs é causada por vírus. Entretanto, no lixo, você encontra uma grande proliferação de bactérias. Naquele lixo, não tem nenhum vírus vivo porque as condições do lixo não permitem”, enfatiza o especialista.

Contudo, ele revela que as bactérias conseguem se proliferar no lixo, como por exemplo, nas fezes de cachorro e comida presentes. “Quando a mosca pousa naquelas fezes, a bactéria vai aderir as patas da mosca. E se aquela mosca voar e pousar em alguma comida, a bactéria vai para o alimento, que fica contaminado. A bactéria vai se multiplicar, vai produzir toxinas, e as toxinas vão causar doença diarreica aguda”, complementa Rui sobre a correlação. O especialista sugere ainda que os alimentos sejam refrigerados para evitar a proliferação bacteriana.

Prevenção

Em relação aos modos de evitar a DDA, higiene é a principal alternativa, porém, uma vacina auxilia os hábitos higiênicos na missão de proteger a população contra a “virose da mosca”. Contudo, a DDA é causada por mais de um tipo de vírus, além das bactérias.

“O rotavírus causa a DDA, e nós temos uma vacina que existe no calendário vacinal normal do Ministério da Saúde, e que ajuda a prevenir, a doença diarreica aguda, que inclusive é uma das mais graves”, completa Rui.

Contudo, ele explica que existem outros vírus que também causam a DDA. “Echovirus, Coxsackievirus, Adenovirus. Todos podem causar DDA, entretanto, o que causa a mais grave é o Rotavírus”, complementa o especialista. 

Tratamento

A estudante Flora Maria já sofreu com a DDA por mais de uma vez. Com o aumento dos casos em 2019, ela revela a preocupação em ser infectada novamente. “Eu tive duas vezes em um intervalo de um mês, no mesmo ano. Estou me cuidando para não pegar de novo”, completa.

“As duas vezes começaram com uma tontura muito grande, muito vômito, muita dor de cabeça, durante uns cinco dias, cada uma das vezes. A dor de cabeça era muito forte no começo, e meu corpo ficou muito fraco”, complementa a estudante.

Em relação ao tratamento, Flora contou que não se alimentava normalmente, mas tomava bastante líquido para se recuperar. “Muito soro, muita água de coco para ver se eu melhorava”, explica Flora sobre o processo de recuperação, onde ela também tomou soro com sais de reidratação.

Diario do Nordeste

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