domingo, 7 de abril de 2019

Trabalhadores são resgatados em condições precárias no Centro do Rio



Superintendência Regional do Trabalho fez com que R$ 29 mil em salários e direitos trabalhistas fossem pagos. Nove de dez trabalhadores voltaram para o Ceará, seu estado de origem

Trabalhadores contaram que tinham que estender roupas no mesmo lugar que dormiam e sofriam com cheiro de mofo — Foto: Divulgação/Superintendência Regional do Trabalho-RJ

Equipes da Superintência Regional do Trabalho (SRT) do Ministério da Economia encontraram 10 trabalhadores em condições degradantes em cinco estabelecimentos no Centro do Rio na última semana. Todos já tiveram o contrato rescindido e nove deles voltaram para o Ceará, de onde saíram para trabalhar no Rio.

Um imóvel na rua Frei Caneca, no Centro, era utilizado como dormitório improvisado dos trabalhadores, que, segundo a superintendência, vieram de municípios como Ararendá, Martinópole e Bela Cruz. O resgate foi feito na segunda-feira (1). No dia seguinte, foram tomados depoimentos dos trabalhadores.

Dez trabalhadores estavam em dormitório improvisado. Após pagamento de direitos, nove voltaram para o Ceará, estado de origem — Foto: Divulgação/Superintendência Regional do Trabalho-RJ

Nesta quinta-feira (4), foram pagos R$ 29 mil para os trabalhadores, e nove deles voltaram para seus municípios. O dono do estabelecimento deve firmar um novo TAC para melhorar as condições para futuros funcionários.

Os trabalhadores se revezavam em cinco estabelecimentos (três restaurantes, um café e uma pastelaria) que pertencem a três irmãos: Pastelaria Imperial Ltda, Mana Mineiro Restaurante Ltda, Restaurante Tubarão, Café e Bar Cabalero Ltda e Restaurante Rodograma Ltda.

Um deles, que os contratou, já havia, segundo a SRT, firmado em 2009 um Termo de Ajustamento de Conduta para melhorar o local de dormitório dos funcionários de seu estabelecimento.

Entre os problemas encontrados na ação da Superintendência, estão:

muitas infiltrações, com goteiras em toda parte, inclusive sobre as camas e redes nas quais os trabalhadores dormiam
sujeira, com alegação dos trabalhadores que dividiam espaço com ratos e baratas
forte calor, uma vez que não havia ventilação natural
Luminosidade precária, com espaços sem luz elétrica
fiação elétrica desprotegida
ausência de extintores de incêndio
divisórias improvisadas por material de madeirite, papelão, plásticos. Teto também com espaços revestidos por esses tipos de materiais
chuveiros sem água quente e devassados
dois vasos sanitários com as respectivas descargas sem funcionamento, sendo necessário a utilização de baldes com água para eliminação de dejetos
roupas lavadas no banheiro do alojamento e secadas em varais estendidos nos espaços nos quais os trabalhadores dormiam, com forte cheiro de mofo
ausência de cadeiras, sofás, mesas ou similar que permitisse que os trabalhadores descansassem em algum outro lugar que não fosse em cima das próprias camas ou redes
inexistência de geladeira, o que obrigava a captação da água de restaurante, localizado no térreo do alojamento, com acesso externo, e a manutenção da água em temperatura ambiente (forte calor)
ausência de armários, com as roupas de uso dos trabalhadores “guardadas” em baldes grandes de manteiga ou reunidas em sacos de lixo



Pertences e roupas eram guardados em grandes potes de manteiga ou em sacos de lixo — Foto: Divulgação/Superintendência Regional do Trabalho-RJ

Por Henrique Coelho, G1 Rio

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