quinta-feira, 25 de julho de 2019

COB usa o Pan para tentar se aproximar do governo Bolsonaro

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Enquanto os atletas brasileiros se preparam para disputar medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Lima, os dirigentes esportivos do país entram em ação na articulação política.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vê o evento peruano como uma boa oportunidade de melhorar sua imagem, abalada por denúncias após a Olimpíada do Rio, e costurar apoios importantes junto ao governo de Jair Bolsonaro e entidades esportivas do continente.

Estão previstas para os próximos dias assembleias da Panam Sports (Organização Desportiva Pan-Americana) e da Odesur, sua correspondente sul-americana. O Brasil estará representado nelas pelo presidente do COB, Paulo Wanderley.

Outros encontros importantes para a entidade serão com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e o ex-jogador de vôlei de praia Emanuel Rego, hoje responsável pelas ações de alto rendimento da Secretaria Especial do Esporte, subordinada à pasta de Terra.

Segundo a secretaria, o ministro será o representante brasileiro na cerimônia de abertura dos Jogos, na sexta-feira (26).

"Depois de todo esse furacão que passou, conseguimos botar o barco no rumo. Agora estamos navegando, e esse trabalho é importante para dar sustentação com o governo federal", afirma Marco La Porta, vice-presidente do COB e chefe da missão brasileira em Lima.

Em 2017, o ex-presidente do comitê Carlos Arthur Nuzman foi preso renunciou ao cargo na entidade. Vice na época, Paulo Wanderley assumiu a presidência.

Nuzman é réu em ação que apura suposto pagamento de pagamento de propina a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos em 2016.

No último dia 4, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral afirmou que os ex-atletas Alexander Popov e Sergei Bubka receberam dinheiro para votar na entidade na eleição do COI em 2007. Eles negam a acusação do delator.

No dia 10 de julho, representantes do COB foram recebidos no gabinete do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Outro ponto de contato entre as partes é o ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo, general Augusto Heleno, que foi funcionário do comitê olímpico na gestão Nuzman.

"Apresentamos o trabalho que o COB vem fazendo e conseguimos em alguns casos reverter uma imagem que estava um pouco negativa. As pessoas entenderam o trabalho de reconstrução e tem sido muito bom", diz La Porta, formado pela escola de educação física do Exército.

De acordo com ele, um dos pilares da gestão de Wanderley é fortalecer a imagem da entidade também junto à população, algo que um bom desempenho no Pan de Lima poderia ajudar a fazer.


"Notamos que tinha muita coisa boa que o COB fazia e que não era divulgada. Por exemplo a natação. Fizemos um esforço para que os atletas que estão no Mundial [na Coreia do Sul] venham de primeira classe, para que cheguem descansados e possam competir. Esse é o investimento que interessa. Gastar o dinheiro onde tem que ser gasto", afirma.



por Daniel E. de Castro

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