Estado vive onda de violência com 209 ataques confirmados desde o dia 2 de janeiro. Ao todo, 383 pessoas foram detidas por envolvimento nas ações.

Criminosos detonam explosivos numa ponte e atacam agência bancária em Fortaleza

Criminosos explodiram uma bomba em uma estação do Metrô de Fortaleza, incendiaram uma agência bancária e tentaram derrubar uma ponte na capital entre a noite desta quarta-feira (16) e a madrugada desta quinta (17). A onda de violência no Ceará chegou ao 16º dia seguido com 209 ataques confirmados. Desde o dia 2 de janeiro, criminosos atacaram ônibus, carros, prédios públicos, prefeituras e comércios em 46 dos 184 municípios cearenses. Os ataques começaram em Fortaleza, foram para a Região Metropolitana e também se espalharam por diversas cidades do interior do estado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, 383 pessoas foram capturadas por envolvimento nos crimes. O Ministério da Justiça confirmou que enviou um reforço de 355 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o estado. O governo do estado comunicou que convocou policiais militares da reserva para voltar a atuar e reforçar o combate aos crimes. Tropas da Força Nacional também seguem reforçando as ações no estado. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), classificou as ações criminosas como "atos de terrorismo". A agência do Banco do Brasil, localizada na rodovia BR-116, no Bairro Aerolândia, foi atacada por volta de 1h desta quinta-feira. Criminosos atiraram diversas vezes contra o prédio do banco e invadiram o local. Eles incendiaram a agência e depois fugiram. De acordo com a PRF, os suspeitos usaram combustível para atear fogo na agência. Caixas eletrônicos e outros objetos foram aingidos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu impedir que a agência fosse totalmente incendiada. O banco foi isolado. Ainda durante a madrugada, por volta das 3h30, criminosos explodiram uma bomba em um poste da estação do Metrô de Fortaleza do Bairro Couto Fernandes. Devido à ação, o metrô não realizou viagens durante o início da manhã e a estação permaneceu fechada. Localizada na Avenida José Bastos, a estação Couto Fernandes faz parte da linha Sul do Metrô de Fortaleza e atende o público dos bairros Bela Vista, Pici e adjacências. Equipes da Força Nacional e Polícia Militar foram acionadas e reforçaram a segurança do equipamento após o ataque.

Funcionários da Prefeitura de Fortaleza foram ao local e iniciaram os trabalhos de reforma após o ataque — Foto: Halisson Ferreira/SVM

Já durante a noite, criminosos usaram artefatos explosivos para tentar derrubar uma ponte na Rua Chile, no Bairro Bela Vista. O ataque danificiou parte da estrutura da ponte e danificou um cano de esgoto que passava pelo local. O barulho da explosão foi ouvido por moradores de outros bairros da região.

Entenda o que está acontecendo no Ceará

O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos. Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior. O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado. A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do comércio. A onda de violência afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado cair.
35 membros de facções criminosas foram transferidos do Ceará para presídios federais desde o início dos ataques, segundo o último balanço do Ministério da Justiça.

'Terrorismo', diz governador

Em entrevista à GloboNews, nesta quarta-feira, o governador Camilo Santana disse que as ações criminosas registradas no Ceará são "atos de terrotismo". Santana defendeu que o Congresso Nacional revisse a lei antiterrorismo para tipificar ataques como os que ocorrem no Ceará.

Governador do Ceará classifica como "terrorismo" onda de ataques

Camilo Santana também confirmou o fechamento de 67 cadeias municipais no interior do Ceará nos últimos dias. A medida foi uma decisão do novo secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, segundo o governador.

"Eram cadeias precárias, concentrei na Região Metropolitana para ter mais controle sobre esses presos. Isso foi uma decisão do próprio secretário [da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque]. Tenho tido todo o apoio do poder Judiciário", afirmou.

Ordens partiram de presídios

Áudios compartilhados entre membros de facções do Ceará revelaram que as ordens para as ações contra ônibus, prefeituras e prédios públicos partiram de presidiários. As mensagens chegaram até as autoridades após a apreensão de 407 aparelhos de celulares nas unidades prisionais do estado, no dia 6 de janeiro. Em uma mensagem, um detento ordena: "Uns toca fogo na prefeitura, uns toca fogo nas coisa lá dos policial, tá ligado?". O Palácio Municipal da Prefeitura de Maracanaú, na Grande Fortaleza, foi um dos 49 prédios públicos atacados no Ceará. "Agora a bagunça vai começar é com força", diz outra mensagem de áudio. “Agora nós vamos parar os ônibus, vamos tocar fogo com vocês dentro”, ameaça um terceiro detento. Em outro áudio, um detento diz que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o secretário da Administração Penitenciária desista de medidas que tornam mais rigorosa a fiscalização no sistema penitenciário. "Vocês vão tirar esse secretário aí dos presídios. Vocês vão ver, vai piorar é pra vocês", ameaça um criminoso.

Reforço na segurança

Mais de mil policiais militares da reserva foram convocados para voltar a atuar nas ruas ao longo desta semana. No entanto, menos da metade dos agentes de segurança se apresentaram. Os PMs que já assinaram os documentos, deveriam ter começado a trabalhar na quarta-feira, mas atrasos na preparação das fardas e coletes atrasaram a saída às ruas. Devido à baixa adesão, o Governo do Ceará ainda prorrogou o prazo para que os policiais militares se apresentem no Comando Geral da PM.

“Logo depois desses ajustes, os policiais militares devem retornar as ruas até sexta-feira. Eles serão designados em um primeiro apenas para reforçar o policiamento em Fortaleza. E se necessário podem ser deslocados para outras regiões do estado”, disse o Relações Públicas da PM, coronel Jano Marinho.

Menos da metade dos policiais da reserva se apresentou no Ceará

A Polícia Militar informou que a apresentação é obrigatória para os PMs que estão na reserva há no máximo cinco anos e que moram no Ceará. Aqueles que não residem no Ceará não estão obrigados a se apresentar. Quem não se apresentar vai responder administrativamente por transgressão disciplinar. E quem não puder mais trabalhar precisa trazer um atestado médico e passar por uma avaliação na PM. A convocação é possível após a aprovação de uma lei na Assembleia Legislativa, em sessão extraordinária neste sábado (12), durante o recesso parlamentar. Os policiais da reserva que voltarem a trabalhar irão receber uma gratificação extra.

ATAQUES NO CEARÁ























Por G1 CE