Reforma de aposentadorias de militares será um trunfo se bem utilizada por Bolsonaro

Foto: Will Shutter/ Câmara dos Deputados

Com a chegada da reforma da Previdência dos militares, o presidente Jair Bolsonaro ganha um trunfo e tanto na negociação com o Congresso Nacional para que o regime geral seja votado. A falta de abrangência aos militares sempre foi um problema e o vespeiro foi, finalmente, mexido. Talvez não na mesma proporção com que se propôs mudanças para os demais trabalhadores, porém é um avanço e tanto.

O militarismo há muito é uma classe diferenciada do restante da população com relação à aposentadoria. São vantagens não apenas para os próprios militares, mas também para os pensionistas, cujos benefícios volta e meia aparecem nas redes sociais, a exemplo da atriz Maitê Proença. Como em um passado muito recente o Brasil conviveu sob o regime de repressão de comandantes, era natural que os governantes se sentissem amedrontados em alterar a “previdência militar”.

Bolsonaro e sua condição de capitão reformado do Exército facilitaram o debate sobre o tema. Além da presença de muitos militares no próprio governo, é claro. Até então, essa presença maciça de generais e coronéis havia sido alvo de muitas críticas da imprensa e da classe política. Porém, ao propor alterações nas aposentadorias dos militares, o argumento perde um pouco de força. É a lógica do “cortar na própria carne” que, se bem usada, pode render dividendos para outras votações no Congresso. Especialmente o caso do regime geral.

De acordo com os cálculos – sempre otimistas, como sabemos – do Ministério da Economia, existe a previsão de que as mudanças no sistema de aposentadoria dos militares provoquem uma economia de mais de R$ 10 bilhões em 10 anos. A cifra não é tão alta quanto a dos demais trabalhadores, mas o efeito simbólico desse montante gera uma onda de boas expectativas que deve afetar, principalmente, a frágil base aliada em formação.

Mesmo entre os opositores, deve haver certo arrefecimento nas críticas. Um argumento recorrente era a ausência dos militares no projeto de reforma da previdência. Ao mudar a aposentadoria desse grupo, perde objeto atacar um eventual “protecionismo” de Bolsonaro à classe à qual pertence. Não que não faltem pontos criticáveis nos projetos em geral. Apenas um fator crucial até então utilizado para bater no governo deixa de estar disponível.

Uma questão básica, no entanto, será quanto Bolsonaro conseguirá usar os dividendos políticos desse trunfo da chegada do projeto da aposentadoria dos militares ao Congresso Nacional. Eventualmente mergulhado em sucessivas polêmicas desnecessárias, o governo precisa focar na reforma da previdência. Ou o que realmente importa nesse momento, de acordo com as próprias declarações dos integrantes do primeiro escalão. Antes, no entanto, é preciso formar uma base aliada. E isso nunca foi difícil para quem controla a máquina.

Este texto integra o comentário desta quinta-feira (21) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.


por Fernando Duarte

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