Acidente

Condutor deverá remover veículo de imediato em caso de acidente, em Fortaleza, a partir de setembro

Resultado de imagem para Condutor deverá remover veículo de imediato
Ocorrências sem vítimas podem ser enviadas somente via online à Autarquia Municipal, que alega necessidade de mudança cultural de fortalezenses.

A partir da próxima segunda-feira, dia 2 de setembro, acidentes de trânsito sem vítimas em Fortaleza não devem mais contar com perícia ou atendimento da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). As informações dos sinistros precisarão ser enviadas online ao órgão por meio da funcionalidade Boletim de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado (Bateu), no aplicativo AMC Móvel, ou no site da Autarquia. Os condutores também terão de remover o veículo da via imediatamente.

O artigo 178 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multa média para quem mantiver o veículo bloqueando a via pública em ocorrências sem vítimas. A penalidade custa R$ 130,16 mais o registro de quatro pontos no prontuário da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Mas a intenção do agente não é fazer de imediato essa autuação, e sim orientar”, indica o chefe de operações da AMC, Disraelli Brasil.

Em setembro, o órgão assume integralmente a função de gerir acidentes na cidade, atividade que não era cumprida porque os motoristas continuavam solicitando a presença da perícia do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) nos locais.

O órgão estadual realizou 9.515 perícias em acidentes sem vítimas no Ceará, em 2017 e 2018. Nos cinco primeiros meses deste ano, mais de 1.600 perícias foram feitas em ocorrências apenas com danos materiais. Em nota, o Departamento informa que o atendimento à ocorrência sem vítimas é um serviço de competência do órgão municipal e que, já que a AMC desenvolveu tecnologias capazes de atender à tarefa, “é natural que o Estado retorne essa competência para gestão exclusiva da AMC”.

Uso abaixo do esperado

Com a mudança, os agentes da Autarquia só comparecerão aos acidentes se houver necessidade de controle de tráfego, crime de trânsito ou vítima, ferida ou morta. Nos demais casos, o condutor deve anexar ao Bateu as imagens necessárias, preencher as informações sobre veículo, motorista e ocorrência, e desobstruir a via.

No entanto, ainda há resistência no uso da tecnologia. Dos 14.580 acidentes sem vítimas registrados na cidade entre janeiro de 2018 e julho de 2019, segundo a AMC, menos de 10% foram reportados ao Bateu. O órgão declarou que apenas 1.454 ocorrências foram informadas à ferramenta.

Disraelli Brasil defende uma mudança cultural dos condutores. “É uma transição. Com a extinção da perícia do Detran, a população vai se acostumar, e será informada pelo próprio Ciops sobre o aplicativo quando tentar acionar os agentes. Deve ser priorizado o interesse coletivo. Uma pequena colisão pode prejudicar a vida de outras pessoas e gerar outros acidentes”, alega.

Melhoria da função

Os dados enviados ao aplicativo são analisados por técnicos da Autarquia e, em até cinco dias úteis, o boletim sobre o acidente pode ser impresso e utilizado como prova em ações judiciais ou seguradoras. Conforme Brasil, a ocorrência pode ser registrada em até 30 dias após o sinistro, tanto no aplicativo como no site do órgão.

A tecnologia, porém, não ajudou o estudante Gabriel Aguiar, 23, que tentou registrar um acidente no sistema, em outubro do ano passado. “Eu me cadastrei, tirei todas as fotos do acidente, e quando tentei enviar não funcionou. Desinstalei, reinstalei, tentei fazer o procedimento pelo app e não deu certo. Como não chamamos a perícia e não consegui mais contato com a pessoa que bateu no meu carro, saí no prejuízo”, lamenta.

O superintendente da AMC, Arcelino Lima, garante que “o investimento para não haver problemas técnicos” é constante. “Agora, como todo procedimento será direcionado à Prefeitura (AMC), e não ao Detran, a demanda vai aumentar. Mas estamos preparados para isso”.

G1 CE

About Acopiara Alerta

Tecnologia do Blogger.