Presidente chegou a falar durante pronunciamento que medidas adotadas por chefes do Executivo estadual e por prefeitos teriam "um preço alto"

Brasilia em 16 de abril de 2020, O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, durante pronunciamento no Palácio do Planalto. (Foto Marcello Casal Jr/Agência Brasil) (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Após demitir o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar as medidas de isolamento decretadas por alguns governadores do Brasil, quem visam conter o avanço do novo coronavírus. Durante pronunciamento, realizado nesta quinta-feira, 16, para falar da saída de Henrique do cargo, Bolsonaro aproveitou momento para acusar governadores de agirem por suas costas e afirmar que medidas tomadas por eles teriam "um preço alto".

"Em nenhum momento fui consultado sobre medidas (de isolamento) adotadas", informou o presidente durante discurso. Em seguida, ele citou que governadores sabiam o que estavam fazendo e que, caso resultado de decretos fosse negativo, representantes não deveriam colocar a "conta nas costas do povo sofrido brasileiro".

Apesar de garantir "não querer criar polêmica com qualquer outro poder", Bolsonaro chegou a falar durante pronunciamento que medidas adotadas por governadores e por prefeitos teriam "um preço alto", e que os "excessos" cometidos seriam de responsabilidades deles. "Devemos tomar medidas sim, para evitar a expansão do vírus, mas pelo convencimento e sem atingir a liberdade individual de um cidadão. Quem tem poder de decretar estado de sítio é o presidente, não o governador ou o prefeito", afirmou na ocasião.


Essa não é a primeira vez que o presidente se impõe contra medidas de isolamento decretadas por governos estaduais como o de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Ceará. Decretos que atuam no combate a disseminação da Covid-19 fecharam serviços considerados não essenciais ao funcionamento público e impactaram economia, o que fez com que Bolsonaro chegasse a chamar governadores de "exterminadores de empregos", acusando eles de causarem uma crise "maior do que o próprio coronavírus". Mais de 140 mil pessoas no mundo, sendo quase 2 mil no Brasil, morreram em decorrência da Covid-19.

Saída de Mandetta

Apesar de Bolsonaro falar durante pronunciamento que demissão do ministro havia sido um "divórcio consensual", a saída de Mandetta do cargo ocorre depois de semanas de divergências entre eles. Um dos principais motivos da "troca de farpas" que os dois protagonizaram nos últimos dias, é o fato de que o agora ex-ministro se mostra favorável aos decretos estaduais de isolamento, contrariando a ideia de "flexibilização" que o presidente defende.

O POVO