O POVO recebeu imagens que mostram a movimentação no calçadão da avenida Beira Mar, apesar do estado de emergência na saúde pública no Ceará

Movimentação é bem menor do que em período de normalidade, mas orientação dos órgãos de Saúde é de autoisolamento (Foto: Luiz Viana/O POVO)

As avenidas vazias de Fortaleza representam a boa notícia de que cearenses estão respeitando as medidas de isolamento social e colaborando, portanto, para retardar a propagação da Covid-19. No entanto, O POVO recebeu imagens de movimentação de pessoas no calçadão da avenida Beira Mar em pleno período de quarentena.


A movimentação pode não ser a mesma que em situações normais, mas crianças, adultos e alguns idosos continuam saindo de casa para praticar atividades físicas. Imagens enviadas ao WhatsApp do O POVO registram pessoas correndo, andando de bicicleta e skate, fazendo musculação e até jogando vôlei nas quadras de areia do polo turístico.


O cenário não é ideal durante o estado de emergência na saúde pública determinado no Ceará. Os dados mais atualizados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) dão conta de 445 casos confirmados de Covid-19 no Estado e nove mortes. 




Para evitar a propagação mais rápida do vírus Sars-Cov-2, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda medidas de autoisolamento social, que foram adotadas pelo Governo do Ceará. Pode não parecer imediatamente, mas a estratégia é responsável pelo achatamento da curva de transmissibilidade e precisa ser respeitada pela população.


O infectologista Keny Colares explica que a média de tempo para o corpo apresentar sintomas de Covid-19 tem sido de cinco a seis dias. Entretanto, alguns casos podem demorar até 15 dias para evidenciar o coronavírus. "O que nós estamos observando hoje de quem apresenta sintomas, procura atendimento e é internado, são pessoas que se contaminaram, provavelmente, há duas ou três semanas", reforça o especialista. O período mencionado por Keny seria equivalente às semanas a partir do dia 15 de março, domingo.


O governador Camilo Santana decretou quarentena no Estado no dia 20 de março, sexta-feira. Um estudo do Instituto Ampla Pesquisa já apontou a eficácia das medidas no Ceará até então. "Talvez seja realista esperar para as próximas semanas, o cenário mais otimista, que as coisas não piorem. Que a gente não tenha um número aumentado de óbitos ou de pessoas que não estão conseguindo ser atendidas, que é o que temos observado em alguns países, como na Itália. Se nas próximas semanas não tivermos uma piora, já é um sinal de que as medidas estão funcionando", analisa o infectologista.


Para reduzir, dentro do possível, o número de contaminados e de mortes, as medidas de isolamento são essenciais. Keny ainda reforça que cada pessoa infectada (sintomática ou não) pode transmitir a Covid-19 para, em média, duas a três pessoas. "A medida que a gente afasta as pessoas, a gente dificulta a transmissão do vírus e reduz o número de casos. Como a gente vem há duas semanas e meia fazendo esse esforço, a gente espera que a curva tenha uma queda nos números de casos confirmados".




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